O Avesso do Olhar: Quando o Estranhamento nos Devolve a Vida
Há dias em que as palavras parecem gastas. Repetimos "bom dia", "trabalho", "tempo" e "rotina" de forma quase mecânica, como se fossemos robôs programados para operar no piloto automático. Mas, de vez em quando, algo estala. Uma palavra comum de repente soa estrangeira na boca. Você a repete mentalmente até que ela perca a forma conhecida e ganhe... outra coisa. O sentido real. Como escreveu Clarice Lispector: "Quando estranho a palavra é aí que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida. Tomo conta para não me ultrapassar." O Despertar pelo Estranhamento Estranhar, aqui, não significa achar ruim ou bizarro. É o ato de tirar a poeira do hábito. Quando olhamos para a nossa própria existência e pensamos: "Espera, o que é tudo isso mesmo? Quem sou eu dentro disso?" , a anestesia do cotidiano quebra. É nesse susto — no desencaixe — que a vida realmente começa. É quando deixamos de apenas existir e pass...