O tempo não pára, mas a saudade congela o instante
"Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…" — Mário Quintana Já parou para pensar na velocidade com que os dias escapam pelas nossas mãos? A rotina atropela, as horas correm, o mundo muda de cenário num piscar de olhos. O relógio é implacável: ele não negocia, não faz pausas e não espera por ninguém. E, no entanto, existe algo humano e misterioso capaz de desafiar essa física do tempo: a saudade. Quando a saudade chega, o tempo perde sua autoridade. Ela resgata aquele abraço de anos atrás e o traz para o presente com o mesmo calor. Ela repete uma gargalhada, reacende o cheiro de um café passado na casa de quem já se foi, e devolve a cor exata de uma tarde que o calendário insiste em dizer que ficou para trás. A saudade é a nossa máquina do tempo particular. É a prova de que nem tudo o que passou se foi de verdade; algumas coisas simplesmente escolheram morar na nossa memória, intocáveis pela poeira dos dias. O tempo pode a...