Existem versos que não apenas descrevem um sentimento, mas o desenham com precisão cirúrgica. Em sua obra-prima "Sinal Fechado", Paulinho da Viola nos entrega uma das definições mais viscerais do isolamento: "Solidão é lava que cobre tudo."
A Inércia do Sentimento
A escolha da palavra "lava" é genial. A lava é quente, destrutiva e, acima de tudo, implacável. Quando ela passa, o que sobra é uma camada espessa que endurece e esconde a vida que havia embaixo. Assim é a solidão profunda: ela não apenas dói, ela imobiliza.
"Solidão é lava que cobre tudo.
Cinza é o que resta do que foi fogo."
O Sinal Fechado da Vida Moderna
- O Isolamento no Meio da Multidão: A música fala sobre dois conhecidos que se encontram em um semáforo; a solidão aqui é a falta de tempo para a conexão real.
- A Camada de Cinzas: Depois que a "lava" esfria, resta o silêncio e a dificuldade de retomar o que foi soterrado.
- A Pressa: A solidão de Paulinho é urbana, apressada e cheia de "tenho que ir", "olha o sinal".
Revisitar esse verso é um convite para não deixarmos a pressa do dia a dia transformar nossos encontros em apenas "sinais fechados". Que a gente aprenda a desviar dessa lava antes que ela nos cubra por completo.
Você também sente que a rotina, às vezes, é essa lava que nos isola?
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